aqui não

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Foto por Sharon McCutcheon em Pexels.com

Eu não quero estar aqui eu anseio naõ estar aqui aqui eu poupo a vida quero gastá-la que meus pensamentos não tem pontuação, gramática ou sintaxe ou qualquer regra que os refreem eu quero estar só e livre pra pensar em prisoes imensas de onde eu possa fugir voando I am flying,  I am Flying like a bird in the sky eu só nãO QUERO estar aqui onde a vida me põe, me compõe e me decompõe como a dizer nãO ERA isso que voce queria? eu minto que sim mas no fundo adoro enganá-la…tenho o espirito adúltero e volátil de nosso novo século que será novo pra nossos filhos e netos que ficam que quase estamos é indo embora por fora pareço contemporâneo e veloz como os jovens mas a dor e o cansaço quase sempre me vencem no meio do dia a não ser que planeje uma noite bravia e trabalhosa entro então num transe em que esqueço os limites do corpo e deixo a mente comandar o espetáculo!Onde está aquele  tentáculo que me empurrava contra as quatro paredes se são paredes merecem redes repouso pendente pendencias pra amanhã que o hoje já se foi embora e a noite parece leve fresca agradável e finjo ser fácil ter a mente de um Joyce ou ao menos de um Rosa vamos trabalhar em verso ou prosa numa divina comédia num trabalho Dantesco genial ou grotesco num trabalho chamado VIDA

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Velha sapiência

Qualquer jovem idiota

Pode se tornar um velho sábio

Mas essa metamorfose é rara

Pois a maioria deles

pendura o passado na parede

E o venera como a um troféu

Teimando em não sair do casulo,

Morrem presos

Nas teias que eles próprios teceram.

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No sozinho do Nada

No sozinho do nada

No vácuo

O silêncio viraliza

Contamina o momento

E já podemos transportar

A melancolia de agora

Para o Càrcere de Graciliano

Ou mesmo para o de Lula

Estamos todos nesse cárcere

No sozinho do nada

Esperando ou não

A visita do vírus

 

 

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Antes que dia

Vez ou outra

amanheço antes do dia

querer antecipar o tempo

no fim é gerar cansaço antes da hora…

melhor voltar a dormir…

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Pra arder meu coração

Caminhava.
Manhã de domingo clara
semanas após a Páscoa
taciturno,
com o peso de pandemia às costas
a garça negra esvoaça a minha frente
e o pio de uma coruja faz-se ouvir.
Olho em volta:
nada!
Então me alcança uma brisa leve,
Parece me invadir a mente:
fragmentos de idéias,
recordações,
devaneios…
Caminho feito um sonâmbulo
mas me embalo na doce brisa;
De repente o caminho ficou pra trás
Vislumbro a fachada de minha morada e o sonho persiste…
Arisco, faz que vai embora…
Eu, suplicante
digo-lhe que permaneça,
passe ao menos a tarde comigo!
Ele adentra minha casa,
não sem antes descalçar as sandálias e, como eu,
lavar minuciosamente suas mãos;
Partimos o pão,
damos graças
e então meus olhos se abriram:
pude reconhecer o Amor Primeiro!
Pôs-se a arder novamente meu coração

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O PULSO AINDA PULSA

…E repulsa…

Em tempos de pandemia, quando os nervos andam à flor da pele, descobrimos que bons medíocres se traem e nos mostram suas verdadeiras faces: nunca passaram de idiotas, nós é que nunca tivemos tempo pra chegar a essa conclusão.

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O CONSTRUTOR DE PONTES

Um velho, andando por uma isolada estrada,
Chegou à noite fria e cinzenta,
À margem de um rio que formava um abismo profundo e largo
Onde as águas rolavam frias e escuras

O velho cruzou na escuridão do anoitecer
A forte corrente que medo não lhe fazia
(ele conhecia um caminho de pedras onde podia apoiar os pés)
No outro lado, porém, virou-se,
E começou a construir uma ponte para transpor as águas

“ -Velho” – disse um peregrino próximo –
“- desperdiças tuas forças construindo essa ponte,
tua jornada está chegando ao fim
e nunca mais por aqui passarás,
cruzaste o abismo, profundo e largo,
por que constróis essa ponte na tua última hora?”

O construtor levantou o velha cabeça grisalha e respondeu-lhe:
“- Bom amigo, no caminho por onde vim,
seguiu-me hoje um jovem,
um jovem cujos pés devem trilhar esse caminho.
O abismo nada significa para mim
Para aquele jovem, pode ser uma armadilha fatal
Ele, também, terá que cruzá-lo na escuridão
E não conhece como eu o caminho das pedras!
Bom amigo, é para ele que construo essa ponte!”

Will Allen Dromgoole (falecido em 1934)
Adaptação de Marlos – Contagem, maio 2004

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